Sob o comando de Oswaldo de Oliveira, o Sport não conseguiu ainda nenhuma vitória.

IMG-20160530-WA0031Até então, foram quatro derrotas e dois empates nos seis jogos. Aproveitamento de apenas 11,11%. Enquanto a torcida cobra reforços à diretoria rubro-negra, o treinador tenta montar a equipe com o que tem à disposição e organizar a bagunça deixada por Paulo Roberto Falcão. Em um comparativo entre os confrontos, como mandante, contra o Corinthians em 2015 e em 2016, nota-se que o principal problema do Leão diz respeito ao comportamento coletivo.

No ano passado, o Sport enfrentou o Corinthians sob comando de Paulo Roberto Falcão – que herdou a boa base montada por Eduardo Baptista – e venceu por 2 a 0, na Arena Pernambuco. Em relação à partida no ano passado, além da entrada do goleiro Magrão no lugar de Danilo Fernandes, o time passou por apenas quatro mudanças, entrando em campo com a seguinte escalação: Samuel Xavier, Matheus Ferraz, Durval e Renê; Rithely, Wendel (Serginho), Élber (Everton Felipe), Diego Souza e Marlone (Gabriel Xavier); André (Edmilson). Três delas no setor ofensivo, o mais criticado neste início de campeonato. Agora, em 2016, o Sport perdeu nesse domingo (29), na Ilha do Retiro.

Mesmo sem a chegada dos três pontos até o momento, a evolução do Sport sob o comando de Oswaldo de Oliveira é bastante nítida. As alterações no posicionamento e na movimentação da equipe derrotada pelo Santa Cruz na estreia do treinador, em relação à que perdeu para o Corinthians no último domingo (29), são reais e importantes, apesar do lento processo de adequação – inclusive, o Leão teve duas boas chances de abrir o placar no primeiro tempo, apesar da desorganização de alguns setores -. As contratações feitas por Paulo Roberto Falcão não encaixaram e ainda precisam de tempo para se entrosar com o restante do time. Por isso, o conjunto tem sofrido tanto e errado em conceitos fundamentais das fases de jogo. Consequentemente – e somando-se à má fase – as vitórias não saíram.

As imagens a seguir (retiradas de flagrantes dos jogos em 2015 e em 2016) foram analisadas de acordo com os conceitos ofensivos e defensivos do futebol no qual a filosofia do Sport propôs. Nas duas ocasiões, o Leão fez marcação por zona. Porém, neste ano, foi notável a assimetria entre a primeira linha de quatro (formada pelos zagueiros e laterais) e a segunda (com os meias e volantes). Apesar da melhora, o time comandado por Oswaldo de Oliveira deixou muito espaço durante a recomposição defensiva e os meio-campistas corinthianos tiveram espaço e tempo para criar as jogadas.

Em “linhas quebradas”, nota-se que apenas Serginho (1) e Rithely (4) estavam bem posicionados, enquanto Diego Souza (3) e Gabriel Xavier (2) não conseguiram fechar os devidos espaços para evitar a infiltração e o arremate à distância de Bruno Henrique. A intenção de Oswaldo Oliveira é fazer a marcação zonal como houve em 2015, com linhas próximas e simétricas impedindo, assim, a aproximação dos meias corinthianos aos atacantes.

Além de não se posicionarem da maneira ideal, os jogadores falharam em outros fundamentos muito bem utilizados pela equipe de 2015: a pressão e o pressing. A diferença entre os dois é que o primeiro se preocupa em apertar apenas o portador da bola, enquanto o segundo (o qual Oswaldo está tentando implementar) busca fechar também as opções de espaço. O único problema é que o pressing (como mostra a imagem da origem do lance que ocasionou o primeiro gol) torna a recomposição do Sport espaçada e lenta, gerando espaço e opções de passe entre os atletas corinthianos. Repare a compactação: todos os dez atletas de linha alvinegros estão na imagem e progridem juntos, com velocidade e toques rápidos.

Em 2015, a equipe leonina costumava marcar a saída de bola com uma linha simétrica e alta. O modelo dá amplitude (leia-se também largura), profundidade e dificulta o início das jogadas com toques curtos. Na imagem, os corinthianos tentaram um recurso muito útil, da triangulação, mas acabaram supreendidos pelos rubro-negros e foram desarmados. O posicionamento montado dá também uma recomposição ofensiva muito veloz, já que os atletas de ataque estão próximos e alinhados. Nesta jogada, o lateral Samuel Xavier (6) e o volante Rithely (5) apertam e retomam a posse já no último terço do campo. André (3) é encontrado com três opções de passe Élber (4), Marlone (1) e Diego Souza (2), que recebe e chuta da intermediária.

O Sport carece de reforços e isso é inegável. O técnico Oswaldo de Oliveira já se manifestou várias vezes sobre o assunto e disse após a derrota desse domingo que “não seria inteligente criticar os jogadores que estão aqui, porque é o que tenho à disposição e preciso trabalhar com eles”. Porém, antes mesmo de achar boas peças individuais, o Leão tem a necessidade de organizar o conjunto. Caso contrário, nenhum atleta vai conseguir render o suficiente e as críticas serão apenas relocadas para os novos contratados.

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