E OLHE QUE NEM ACABOU… Pernambucano em baixa: relembre as ‘bizarrices’ do Estadual de 2017:

ADAURY VELOSO ;

Com a grande decisão se aproximando, o Campeonato Pernambucano de Futebol de 2017 não está sendo uma das edições mais gloriosas do torneio. Arquibancadas vazias, regulamentos inconstantes, e a perda de interesse dos maiores clubes tem tirado o glamour de um dos Estaduais que já esteve entre os mais disputados do Brasil. No momento, é difícil dizer que o campeonato irá deixar saudades. O LeiaJa.com listou alguns dos motivos que tanto irritaram torcedores e as equipes pernambucanas.

1 – Mandos invertidos

Sem dúvidas, o problema mais recorrente do Campeonato Pernambucano em 2017. Os gramados dos estádios do interior do Estado não agradaram nas inspeções da Federação e, tanto Central, quanto Belo Jardim, passaram a jogar na capital, utilizando seus mandos na Arena de Pernambuco, Arruda e Ilha do Retiro. Decisão que, além de tirar das cidades menores a visita dos grandes clubes do Recife, prejudicou as duas equipes (Central e Belo Jardim) com viagens constantes, afinal, apenas os treinos eram realizados em casa. Entretanto, no Hexagonal da Permanência, onde os clubes de pior colocação na primeira fase disputaram uma vaga no Brasileiro da Série D e lutaram contra o rebaixamento, as equipes puderam jogar em seus respectivos estádios. Além de Náutico, Santa Cruz e Sport, só o Salgueiro pôde mandar jogos ao lado de seu torcedor.

2 – Contra o Náutico pode

Diferente dos jogos contra Santa Cruz (Arena de Pernambuco) e Sport (Arruda), o Náutico foi o único que viajou até Caruaru para enfrentar o Central. A partida que teve o local alterado várias vezes, acabou sendo realizada no estádio Antônio Inácio. Curiosamente, a praça é do rival da Patativa, o Porto, pois o Lacerdão segue sem condições de jogo. Inclusive, o jogo que evitou a queda do Vitória de Santo Antão no Hexagonal da Permanência, foi realizado no mesmo Antônio Inácio. No fim das contas, a diretoria alvirrubra se sentiu prejudicada e chegou a provocar a federação pelas redes sociais, com direito a ironia.

3 – No domingo tem Sport, na segunda tem de novo

O grande vilão da FPF tem sido a quantidade de datas para encaixar os jogos do Pernambucano, ao mesmo tempo em que as equipes disputam Copa do Nordeste, Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana no primeiro semestre. Afinal, ninguém tem condições de estar em dois lugares ao mesmo tempo e as regras não permitem jogos atrás de jogos, sem tempo para descanso. Porém, o Sport acabou passando por uma situação bem complicada. Após enfrentar o Campinense no domingo (2/4), os rubro-negros mal dormiram e já acordaram com o Salgueiro pela frente na segunda-feira (3/4). Mesmo com o planejamento de utilizar os reservas e o Sub-20 no Estadual, o Leão não estava preparado para jogos tão próximos. O resultado não foi dos piores, 2×2 na Ilha do Retiro, mas o esforço foi grande, afinal o objetivo de alternar os times era evitar que todo o elenco se desgastasse ao mesmo tempo.

4 – Náutico joga, sai, entra o Santa para jogar

Há muito tempo não se via uma rodada dupla no Campeonato Pernambucano. Para ser preciso, foram 21 anos até que dois times jogassem em sequência no Estadual. O problema é que tal medida surgiu justamente em um momento no qual não era permitido que dois grandes do Recife jogassem no mesmo dia. Ainda menos, no mesmo estádio. A Arena de Pernambuco recebeu Náutico x Central às 19h30 e às 21h45, Belo Jardim x Santa Cruz. O despropósito incomodou até as torcidas organizadas, que têm se envolvido em conflitos violentos e se uniram para boicotar a partida, temendo tomar a responsabilidade de possíveis incidentes. Os jogos foram realizados e acabaram bem tranquilos, afinal, pouquíssimos torcedores compareceram.

Além do torcedor que quis permanecer nas arquibancadas ao fim do primeiro jogo, teve bandeirinha fazendo rodada dupla. O jogo do Timbu teve o trio Deborah Cecília, Clovis Amaral e Fernando da Silva. Ao terminar a partida com o Central, Emerson Luiz Sobral e Elan Vieira se juntaram a Clovis Amaral para Belo Jardim x Santa Cruz.

5 – As semifinais que os clubes quiserem

A combinação de resultados é uma preocupação no futebol mundial. Jogos decisivos para classificação costumam ser realizados em simultâneo para evitar que alguém se prejudique com uma configuração premeditada. Na última rodada do Hexagonal, entretanto, não se fez necessário. No Arruda o Sport venceu o Central e o clássico entre Santa Cruz x Náutico valeria um confronto com o Salgueiro ou pegar o Leão na semifinal. E não é que o jogo ficou para o dia seguinte? Tricolores e alvirrubros, literalmente, tinham a opção de jogar sabendo qual resultado iria colocá-los em cada chave da semifinal. No fim das contas, os dois times jogaram bem e o Timbu está decidindo uma vaga na final com o Sport.

6 – Gol fora que não vale

Terminar na frente é uma grande vantagem no sistema atual do Campeonato Pernambucano. Entretanto, ao retirar o peso do gol marcado fora de casa, o regulamento do Estadual fez com que o Náutico, por exemplo, não tivesse a vantagem de um 1×0 em casa, após perder marcando dois gols na Ilha do Retiro. É uma lambança menor, mas que foge à realidade da maioria dos campeonatos com mata-mata do mundo inteiro. Incluindo o maior de todos, a Liga dos Campeões da Europa. Para o Carcará, a situação terminou sendo melhor, já que tendo perdido a primeira partida sem marcar, iria se complicar com qualquer gol do Santa. Mesmo que vença sofrendo gols, se a diferença for de apenas um, a disputa é decidida nos pênaltis.

7 – Arbitragem de fora ou arbitragem local?

É difícil precisar quantos profissionais de arbitragem fazem parte do quadro da Federação Pernambucana de Futebol. Somando os árbitros e assistentes no site da FPF, são 33 ao todo que participaram dos dois hexagonais. Quando se aproximou a semifinal, o Sport, se sentindo prejudicado em algumas ocasiões, decidiu que não queria os profissionais locais. Algo que foi prontamentente atendido pela Federação, entendendo que houve um consentimento com o Náutico, adversário do Leão nas semifinais. Passado o jogo, com erro do árbitro Wagner Nascimento, do Rio de Janeiro, a diretoria alvirrubra foi às coletivas pedir juízes do quadro local para o jogo da volta. Haja confusão, enquanto isso na outra disputa, o arbitragem pernambucana para os dois jogos e nenhum desentendimento. Falta saber como os jogos da volta das semifinais vão terminar. Muita coisa ainda pode acontecer até o último jogo da decisão. De preferência, que sejam menos polêmicas.

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