Estilo Milton Mendes estremece ambiente no Santa Cruz;

Adorado pela torcida, elogiado pelo padrão tático e responsável direto pelos ótimos resultados alcançados pelo Santa Cruz dentro de campo.
CkNJ0-5WUAAG6t8cobrança extrema e tendência a desgaste do ambiente.
Milton Mendes, é, sem dúvidas, um treinador fora do comum.
Com um salário de R$ 280 mil (incluso comissão técnica indicada), acima, até, do ídolo Grafite, Milton chegou ao Tricolor no final de março para substituir Marcelo Martelotte e foi anunciado com o status de técnico de ponta. Único brasileiro com o curso UEFA PRO, jovem e promissor, o catarinense de 50 anos, que ganhou notoriedade ao comandar o Atlético-PR no Brasileiro do ano passado, rapidamente mostrou os frutos do investimento.

Armou um Santa Cruz que marca certinho, com raça e obediência e tem um ataque veloz. Mortal. Assim, foi campeão da Copa do Nordeste, do Campeonato Pernambucano e largou bem na disputa da Série A.

Ninguém duvida de sua qualidade acima da média. No entanto, apesar das conquistas, a personalidade de Milton Mendes vem causando desconforto e preocupação nos bastidores da Cobra Coral.

Durante esta semana que passou, o treinador se reuniu com a cúpula do Mais Querido para pedir a demissão de vários funcionários do clube. Na lista estavam o gerente de futebol Ataíde Macedo e membros dos departamentos médico, físico, de fisiologia e análise de desempenho.

O pedido foi negado pela diretoria e todos os cargos foram mantidos. Mas o ambiente pesou. Inevitável questionar com qual motivação um treinador que sempre afirmou prezar pela união e pelo trabalho haveria de tomar essa atitude assim, de supetão, e com o clube vivendo uma fase tão boa.

No dia a dia do Arruda, diversos são os relatos de atletas e membros da comissão técnica que são chamados à atenção de maneira exagerada e desrespeitosa diante dos companheiros. O zagueiro Leonardo, uma das lideranças do elenco, foi afastado do elenco, o que deixou os demais jogadores extremamente chateados. Irritado, o também zagueiro Alemão precisou ser contido pelos demais jogadores no vestiário do clássico contra o Sport.

Na derrota para o Atlético-PR, Néris, que foi titular, e Vitor, que permaneceu no banco, foram relacionados sem obedecer o precedimento comum de transição após a saída do DM. Ainda não estavam 100% recuperados. Assim, Milton transparece uma autoridade acima no limite e é capaz de perder o controle fácil, vide a cabeçada no auxiliar do Bahia, em partida pela Copa do Nordeste.

Por outro lado, faz questão de chamar os jornalistas que cobrem o clube pelo nome. Também foi o responsável por preparar uma surpresa para os atletas, levando os familiares para Campina Grande, momentos antes da decisão contra o Campinense, sendo decisivo do ponto de vista emocional. Como entender?

As contradições não param por aí. Ao mesmo tempo em que seus treinamentos contam com uma metodologia moderna, com vídeos, posicionamento em linhas próximas e saída de bola no chão, faz exigências ultrapassadas.

Sabe o agasalho da Umbro que a delegação usou na viagem a Curitiba? Não significa que o Santa está fechado com a fornecedora inglesa (pelo menos ainda). O fato é que a Penalty, que já encerrou sua parceria com o Tricolor, não entregou material suficiente para todos. Milton cobra que a delegação inteira viaje de maneira igual e pediu à diretoria a compra das peças, que foram customizadas com o escudo do clube.

Venho recebendo informações do desconforto causado pela postura de Milton desde a reta decisiva do Nordestão. Agora, a situação começou a vazar por alguns veículos de rádio. O clube, de maneira inteligente, logo lançou uma nota oficial negando qualquer tipo de problema nos bastidores do Arruda, com o intuito de blindar o Departamento de Futebol e tentar superar internamente o mal estar gerado pelo estilo do treinador. Reuniões estão acontecendo no Arruda para buscar maneiras de lidar com Milton Mendes.

Nota oficial
O Santa Cruz Futebol Clube repudia e desmente com veemência as informações falsas, truncadas ou deliberadamente distorcidas veiculadas por profissionais de rádio a respeito de supostos conflitos no interior do Departamento de Futebol Profissional.

O clube ressalta o aspecto oportunista de boatos veiculados por quem tenta tumultuar o ambiente num grupo vencedor, que está fechado e blindado, juntamente com um técnico também vencedor e alinhado com o que há de mais moderno no futebol mundial.
Não à toa, a veiculação dos boatos ocorre imediatamente antes de mais um compromisso da competição em que o elenco está focado.

Basta acompanhar as postagens do Arrudiando para saber que o perfil deste blog é de apoio incondicional ao Santa Cruz Futebol Clube. Não existe intenção alguma deste autor em plantar qualquer tipo de crise no Tricolor. Tudo o que foi escrito aqui foi digerido com cuidado e apuração. Não são boatos. São informações das quais confio de maneira integral.

Observei atentamente a postura dos jogadores na partida contra o Furacão e não acredito que esta derrota nem a do clássico tenham sido reflexo dos problemas nos bastidores. Não houve corpo mole. Ao final da partida, o treinador reuniu o grupo no gramado, como sempre faz. Na coletiva, foi questionado sobre o ambiente e negou que existam divergências com jogadores e funcionários. Deu dois dias de folga para o grupo descansar, pela primeira vez desde que foi contratado. Sinal de que a ficha está caindo e ele precisa reconquistar a confiança dos comandados?
Vale lembrar que no Atlético-PR Milton também teve um começo meteórico, alçando a equipe ao topo da tabela do Campeonato Brasileiro. Porém, de uma hora para a outra, o time passou a não render mais em campo, acumulando quatro derrotas seguidas e seis jogos sem vencer. Um sinal claro de desgaste, que ocasionou em sua demissão. Apesar de ter afirmado, também na entrevista ao final da partida do último sábado, que é querido pelos jogadores do Furacão, seu jeito autoritário já não era mais suportado no rubro-negro paranaense.

Para deixar claro: como sempre faço, torço demais para que a situação seja contornada da melhor maneira possível. Milton Mendes é um excelente treinador. Raro no futebol brasileiro e importantíssimo para o Santa.

Não acho, definitivamente, que técnico, dirigente ou jogador tenha que ser ‘bonzinho’. Trabalho é trabalho. Futebol é isso. Mas é preciso bom senso e respeito para manter um ambiente saudável e que possibilite um projeto a longo prazo. O Santa Cruz sempre foi pautado pela igualdade. Ninguém pode se considerar Deus, independente dos títulos. Uma hora a coisa estoura e vai tudo por água abaixo.

Se quiser ter vida longa no Mais Querido e continuar o projeto vencedor, Milton precisa mudar. Para o bem de todos.

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