Evandro para o mandato na FPF de 2019 a 2022;

ADAURY VELOSO ;  O presidente da FPF, Evandro Carvalho, ratifica mais um mandato à frente da entidade. Segundo a comissão eleitoral, dos 55 filiados aptos a voto nesta eleição, ou seja, em atividade e em dia com as taxas da federação, 45 apoiaram a chapa do atual mandatário durante a inscrição. Segundo o regulamento, era preciso ter ao menos 10 assinaturas.

Ou seja, teoricamente, poderia haver uma chapa de oposição com os filiados restantes, mas ninguém se interessou. Portanto, o pleito em 25 de setembro serve apenas para confirmar os dez nomes da nova direção, entre presidente, vices e membros do conselho fiscal.

Aproveitando a data, com a permanência de Evandro na federação pernambucana até 2022, fiz uma breve entrevista sobre os principais pontos do dirigente para esse novo quadriênio. Íntegra a seguir.

Quando você assumiu o comando, após a morte de Carlos Alberto (em 2011), um dos projetos era não ter mais a reeleição na FPF. Você cumpriu aquele mandato, teve uma eleição e agora uma reeleição. Com isso, serão 11 anos à frente da FPF. Na história, só ficará atrás do próprio Carlos Alberto (1995-2011) e de Rubem Moreira (1955-1982). O que mudou na sua visão para passar tanto tempo à frente da federação?
“Efetivamente, eu só me submeti a uma eleição e essa (em 2018) é a reeleição. Portanto, nada além do absolutamente corriqueiro em qualquer regime e qualquer estrutura de poder. Uma eleição e uma reeleição. A vacância ocasional (após a morte de Carlos Alberto) não é computada em nenhum sistema eletivo”

Nota: Em tese, Evandro pode ser candidatar novamente em 2022, uma vez que o regulamento não mudou. Portanto, fica a garantia do seu discurso – que tende a ser aplicado, pois o dirigente deve articular algo na CBF.

Nessa nova gestão, até 2022, quais são as suas prioridades em relação ao trabalho na federação? O que deve mudar? O que deve melhorar?
“O foco é , sem dúvida, alocar mais recursos. Nós perdemos R$ 24 milhões do Todos com a Nota (suspenso em 2015). Isso gerou um impacto profundo de desestabilização econômico-financeira. Os nossos clubes contavam com isso para investir no futebol. Isso atingiu não só os grandes, mas toda a estrutura do futebol, inclusive no interior. O que nós temos que fazer nos próximos quatro anos é, seja como for, muito mais do que nós fizemos. Abrimos sinal (de TV) no interior, transmitimos jogos para a Oceania, Ásia e África, mas não bastou, não gerou recursos. Precisamos aumentar os investimentos, como eu tenho conseguido. Se eu consegui R$ 7 milhões, agora temos que conseguir R$ 14 milhões. Nós temos que fortalecer a receita independente de (os clubes) estarem jogando ou não a Copa do Nordeste. Então o foco é esse. O que nós temos que fazer aqui, internamente, é a modernização na federação, com o reconhecimento da Fifa e da CBF , sendo a federação mais estruturada e moderna, com o melhor sistema de gestão, e por aí vai. Isso agora não importa mais. O que é importa é que temos que levantar recursos para os clubes voltarem para a 1ª divisão”

Nota: O dirigente não detalhou esse valor de R$ 24 mi sobre o TCN, se considerou ganhos indiretos ou mesmo a soma dos últimos anos. Porém, entre 2007 e 2015, quando o programa estatal vigorou, os clubes receberam R$ 36 milhões. Sobre o Nordestão, futebol local será representado por Santa (R$ 1,9 mi de cota), Náutico (R$ 1,42 mi) e Salgueiro (R$ 1,22 mi)

Segundo os balanços financeiros das federações, a FPF foi a que teve o maior faturamento entre as nove do Nordeste, com R$ 6,3 milhões em 2017, mais de R$ 1 milhão à frente da Bahia. Considerando esse caixa e a receita total da federação, que já vem com superávit há cinco anos, chegando a R$ 15 milhões de patrimônio líquido, de que forma isso pode ser revertido para o futebol local? 
“O que eu me penitencio é que, afora naturalmente os recursos institucionais, eu consegui alocar em torno de R$ 7 milhões. Foi pouco, eu diria. Eu deveria ter tido conseguido arregimentar R$ 70 milhões. Aí, os clubes estariam na 1ª divisão. Infelizmente, ainda que nenhuma federação (do NE) tenha conseguido investir R$ 7 milhões nos seus times ao longo de 2/3 anos, como eu consegui, fora os valores institucionais normais e contratuais, ainda assim foi insuficiente para que nós mantivéssemos o ápice que nós conseguimos quando eu assumi”

Nota: A FPF é a 5ª federação mais rica do país, segundo os balanços presentes no site da CBF. No último, houve um corte de 25% na folha administrativa, enxugando R$ 905 mil no ano – caiu de R$ 2,57 mi para R$ 1,66 mi. Porém, esse gasto segue elevado, com R$ 127 mil/mês, dado superior à folha de futebol de oito dos onze clubes que disputaram o Estadual de 2018.

Em um ano tecnicamente tão fraco para o futebol pernambucano, com a eliminação de todos os times na 1ª fase da Série D, o rebaixamento do Salgueiro à quarta divisão, a permanência de Santa e Náutico na Série C e a situação difícil do Sport na Série A, qual pode ser o papel da federação pernambucana para melhorar o quadro nacional dos clubes, que vêm perdendo força inclusive no cenário regional?
“Quando eu assumi a federação, não tínhamos nenhum clube na Série A. Eu coloquei dois na Série A (Náutico e Sport em 2012), enquanto nenhum estado do Norte-Nordeste tinha qualquer clube. Depois, mantivemos ininterruptamente um (Náutico 2013 e Sport 2014-2018). Infelizmente, tivemos uma crise futebolística que fez com que dois dos nossos clubes, um deles inclusive que estava na Série A (Santa Cruz 2016), ficassem na C. Paciência. O que a federação pode fazer é injetar recurso, fazer competição, fazer a ‘interface’ (contato) junto à CBF, obter as ações que os clubes entendem que são necessárias em termos de arbitragem etc. Mas não tem como a federação atuar na contratação de atletas ou dentro de campo. Por mais que eu gostasse ou pretendesse, seria uma intromissão minha no clube interferir na gestão privada do clube”     Também foram aclamados os vices Pedro Lacerda (1°), Paulo Wanderley (2°) e Murilo Falcão (3°)

Nota: Caso o Sport seja rebaixado à Série B, Pernambuco terá em 2019, no início do novo mandato, a sua pior representatividade na história no Campeonato Brasileiro desde que o sistema de acesso e descenso foi criado, em 1988 – com 0A, 1B, 2C e 4D.

 

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