Jornal: Teixeira liderava distribuição de propina na Conmebol, acusa ex-presidente

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Julio Grondona e Ricardo Teixeira em evento de 2011
Julio Grondona e Ricardo Teixeira em evento de 2011

Em depoimento à Justiça do Uruguai e ao FBI no final de dezembro, o ex-presidente da Conmebol Eugenio Figueredo admitiu ter recebido propina quando se tornou membro da entidade que comanda o futebol sul-americano. Agora, o jornal O Estado de S.Paulorevela nesta terça-feira parte do que o dirigente afirmou sob juízo

E Figueredo acusa o brasileiro Ricardo Teixeira e o argentino Julio Grondona de serem os responsáveis pela distribuição do dinheiro ilegal pelos contratos de transmissão fechados para torneios como Libertadores e Copa América.

Detido em maio do ano passado em Zurique e extraditado para Montevidéu em dezembro, o uruguaio, que comandou a federação de futebol do seu país entre 1997 e 2006, disse que todos os presidentes de associações nacionais recebiam a propina.

“Era tão natural que a pessoa que entrava no grupo recebia o dinheiro que cada um sabia que ia receber. Grondona e Ricardo Teixeira começaram a ampliar os benefícios a todos. Nunca houve licitação nem concorrência para os contratos. A empresa Full Play (de Hugo e Mariano Jinkis) entregou a cada um dos dez presidentes US$ 300 mil para assinar um contrato”, revelou Eugenio Figueredo no depoimento feito na véspera de Natal.

Teixeira e Grondona (morto em 2014) são ex-membros do comitê executivo da Fifa e antigos presidentes respectivamente da CBF e da AFA.

O uruguaio ainda afirmou que o ex-mandatário do futebol brasileiro lhe sugeriu aumentar o próprio salário quando se tornou presidente da Conmebol para, assim, melhorar o que era pago aos presidentes de federações nacionais.

“O presidente do Brasil queria que eu cobrasse US$ 50 mil, assim eles ganhariam US$ 25 mil. Fechamos em US$ 40 mil, porque era ‘dinheiro doce'”, explicou, usando um eufemismo para propina. Eugenio Figueredo também admitiu que a delação de J.Hawilla, dono da Traffic e que deflagrou as investigações nos EUA contra a Fifa, foi o estopim para que também falasse o que sabia à Justiça.

“O que temos de entender é que, em algum momento, temos de começar a dizer a verdade. Acredito que cada um precisa dizer a verdade. Não sou dedo-duro, como dizem, mas se estou nesta situação é por que alguém falou. E o único que está se esforçando por esta causa sou eu”, declarou.

À reportagem do Estadão, Ricardo Teixeira afirmou que a delação do uruguaio “é estapafúrdia, sem nenhuma lógica, se é que verdade que ele falou isso”.

“Raciocina comigo. Eu deixei a CBF em abril de 2012 e fui para os Estados Unidos. Figueredo assumiu a Conmebol em maio de 2013. Como eu poderia participar da assinatura de contratos com a Full Play em 2013 se eu já estava fora da CBF e não era membro da Conmebol? Não tem lógica”, defendeu-se.

“Se Figueredo assumiu a Conmebol em 2013 e eu deixei a CBF em 2012, como eu poderia pedir aumento de salários se já estava fora da CBF? Não tem o menor sentido. Esse presidente da CBF a que ele teria se referido certamente não sou eu”, disparou Teixeira – o presidente da CBF à época era José Maria Marin, hoje em prisão domiciliar nos EUA também acusado de receber propina.

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