Náutico se movimenta para sair do aperto financeiro

ADAURY VELOSO ; Uma pergunta, várias tentativas de respostas e uma imensidão de dúvidas. O que o Náutico precisa fazer para conseguir o que parece uma utopia, a chamada “saúde financeira”? Diminuir o passivo, pagar rigorosamente funcionários e atletas, conseguir patrocínios que possam ajudar na formação do elenco – carro-chefe do clube – e fazer dos resultados em campo uma consequência do crescimento estrutural. Ter dinheiro, saber usá-lo e, mais importante, conseguir ampliá-lo é o segredo já conhecido, mas difícil de ser alcançado. Vivendo uma instabilidade financeira quase que permanente nos últimos anos, o Timbu tenta, dando um passo de cada vez, sair do vermelho – a cor que os alvirrubros querem ver somente no uniforme.

Nesta semana, o Conselho Deliberativo do Náutico aprovou o repasse de R$ 1,5 milhão advindos de antecipação de receitas futuras para ajudar na reestruturação financeira do clube. O pedido foi feito pela Diretoria Executiva. Detalhando os valores, a verba ajudará a pagar o débito com os funcionários (R$ 205 mil), quitar uma parcela atrasada do Profut (R$ 114 mil) e dar entrada em uma ação contra a Odebrecht por conta da quebra de contrato com a Arena de Pernambuco (R$ 100mil). O restante (R$ 1 milhão) será para custear reformas no estádio dos Aflitos.

“Não posso cravar o valor exato das obras no estádio, até porque estamos definindo o projeto. Só a partir daí podemos orçar”, citou o responsável pelas finanças da Comissão, o conselheiro Edno Melo. Estima-se que, ao todo, o Timbu precisará desembolsar mais de R$ 6 milhões.

Além das cotas de TV e das receitas de bilheteria, boa parte do dinheiro do Náutico é oriundo do patrocínio da Caixa Econômica Federal, que rende ao clube R$ 308 mil por mês. O problema, que acometeu a atual gestão e as anteriores, é a dificuldade em manter um planejamento financeiro do início ao fim. Por exemplo: segundo informações de bastidores, o Náutico começou a temporada com uma folha salarial acima de R$ 1 milhão.

Sem poder arcar com esse valor mensalmente, começaram os atrasos no pagamento de funcionários e atletas. Esses últimos, inclusive, sequer receberam os direitos de imagem neste ano, com um atraso de dois meses na carteira. Com a intenção de reduzir o valor pago pela metade, o Timbu mudou sua diretoria de futebol e colocou como principal meta a readequação financeira. A Diretoria Executiva prefere não citar valores, mas a informação é de que o time economizou mais de R$ 200 mil com a saída de atletas como Marco Antônio (R$ 98 mil), Ewerton Páscoa (R$ 42 mil), Dudu (R$ 40 mil) e Giovanni (R$ 35 mil). A ideia é trazer peças mais baratas e trabalhar mais com atletas da base. Nesse novo esquema, o técnico Milton Cruz também deixou o cargo para a vinda de Waldemar Lemos.

O problema do presente é velho conhecido também das gestões passadas. Foi o acúmulo de administrações ruins que aumentou a cada ano o passivo do Náutico. Faltou austeridade. Em 2013, por exemplo, o Timbu vivia o seu “auge financeiro”. Na Série A, classificado à Sul-Americana, o clube teve uma receita operacional de mais de R$ 48 milhões. O passivo estava em aproximadamente R$ 88 milhões. Três anos depois, segundo dados publicados pelo Timbu no balanço financeiro de 2016, uma queda nos valores recebidos (pouco mais de R$ 16 milhões) e uma crescente do passivo: R$ 155 milhões.

A volta aos Aflitos, a luta por uma indenização da Odebrecht, uma economia no futebol… todas as tentativas do Náutico em se reorganizar financeiramente são válidas e necessárias. Mas a verdade é que não haverá extinção dos débitos, um mal inseparável do futebol brasileiro. Contudo, para que a crise comece sua caminhada decrescente, é preciso um primeiro passo. O Náutico errou no passado, mas não precisa usar esse argumento como muleta para não se renovar e organizar. Gols e pontos dão vitórias e troféus, mas o maior título do Alvirrubro precisa começar fora dos gramados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *