PRESSÃO NA ILHA | Sport vítima da pajelança de Nelsinho;

ADAURY VELOSO ;

Sport vítima da pajelança de Nelsinho

Nelsinho Baptista resolveu fazer experiências na escalação e acabou contribuindo para estreia infeliz do Sport na Série A diante do América Mineiro.

Nelsinho Baptista ganhou títulos e fama no futebol por armar suas equipes de forma simples. Assim, tornou-se um bom estrategista e um técnico de inegável prestígio no futebol brasileiro. Mas entre a estratégia e a experiência há uma linha muito tênue que, rompida, provoca desastres como o deste domingo, no Estádio Independência, em Belo Horizonte.

Eis que o cacique rubro-negro resolveu fazer uma pajelança na escalação. Deslocou o regular Raul Prata da lateral direita para a esquerda, em lugar do especialista Sander. Tudo para colocar no lugar do primeiro o inseguro Cláudio Wink. No meio de campo, sacou Gabriel, que vinha jogando, para promover a estreia de Ferreira, ao lado de Anselmo e Felipe Bastos. Três volantes que não fizeram o papel de um, para cobrir os buracos deixados por Winck no setor direito da defesa.

Daquele buraco nasceram outros coadjuvantes para a trágica estreia. Um deles, o goleiro Agenor, que assistiu ao ataque mineiro fazer linha de passe, de cabeça, dentro da pequena área, junto com os zagueiros Ernando e Léo Ortiz. Foram dois passes até a conclusão de Serginho em pouco mais de 30 segundos de partida.

No decorrer da etapa inicial, mais dois gols, ambos, novamente, iniciados no lado esquerdo do ataque. Carlinho cruzou, Ernando iria cortar a bola, que estava um pouco à frente da linha da pequena área. Ou seja, ali era dele, do zagueiro. Mas Agenor resolveu antecipar-se, atrapalhou-se e soltou a bola nos pês de Carlinhos. Antes de o árbitro apitar o final da etapa, Serginho aproveitou outro cruzamento nas costas de Wink, avançou e chutou sem chances para fazer o terceiro gol, o único em que Agenor não teve culpa.

No segundo tempo, Nelsinho mudou o time. Sander entrou na esquerda, Prata voltou para a direita. No meio de campo, Gabriel entrou no lugar de Ferreira. O Sport, então, equilibrou o jogo, contando com a colaboração do América, mais preocupado em administrar o placar. Mesmo assim, chances foram criadas pelos rubro-negros, mas desperdiçadas pelos atacantes. Andrigo perdeu duas claras.

A derrota já deixa o Sport pressionado para enfrentar o Botafogo/RJ, bem mais qualificado do que o América, já na próxima rodada. Cabe agora a Nelsinho fazer uma mea-culpa e colocar os pontos nos ís. Só que o peso que ele carrega está aumentando, pois a torcida não engoliu a desclassificação precoce na Copa do Brasil e a perda do Estadual. Se o Sport não conseguir fazer algo que impressione nas próximas rodadas, o treinador dificilmente vai terminar o mês na Ilha. E o risco de rebaixamento é grande.

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